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Qual a forma correta, desse e demais
verbos semelhantes: contatemo-nos ou contatemos-nos?
Essa forma verbal possui o “s” ou não?
• Em nossas correspondências
oficiais, é comum o uso do plural
majestático. Nesse caso, eu devo
escrever solicitamos-lhe, encaminhamos-lhe,
ou, como sugere o corretor ortográfico
do computador: solicitamo-lhe e encaminhamo-lhe?
• Gostaria de informações
acerca do uso dos pronomes no,
na, nos,
nas, lo,
las etc. Qual seria a forma
correta: Manoel amou intensamente seus filhos,
dava-lhes apoio irrestrito e pequenos gestos
faziam-nos fortes ou faziam-os fortes (no
sentido de fazer eles fortes).
A melhor orientação: escreva encaminhamos-lhe
o documento, solicitamos-lhes
as fotos, fizemos-lhe um
favor, com o S da desinência mos antes do
pronome lhe. Elimine o S com os oblíquos
nos e lo(s) apenas: vamo-nos,
encontramo-nos, amamo-lo,
temo-lo [temos + o].
O corretor ortográfico deve ter
se baseado numa regrinha que genericamente
diz: “A desinência pessoal mos
perde o s antes de formas pronominais enclíticas”,
sem especificar quais pronomes repelem o
s. Ao mesmo tempo, como assegura Napoleão
Mendes de Almeida, “gramaticalmente
não se pode dizer errada a forma
‘queixamos-nos’. Se outro, no
entanto, é o uso geral, explica-o
a facilidade, ou melhor, o hábito
da pronúncia, o qual regula a omissão
ou não do ‘s’ final nos
diferentes casos”.
Também confirmam a supressão
do s somente antes de nos, “por eufonia”,
autores como Laudelino Freire, Celso Pedro
Luft, Vasco Botelho e Eduardo Carlos Pereira.
Quanto aos pronomes enclíticos o,
a, os, as, sua forma depende da
terminação do verbo:
» Altera-se para lo, las, los, las
quando a forma verbal termina em R, S, Z,
como deixar, contatemos, faz, caindo essa
consoante na nova composição:
vamos deixá-lo em
casa / contatemo-los agora
/ fá-los bem feitos.
» Altera-se para no, na, nos, nas
quando o verbo termina em som nasal: dão-no
/ põe-na / mostram-nas / fazem-nos.
Portanto, a frase do leitor Antonio fica
assim: “pequenos gestos faziam-nos fortes”.
Mas há um probleminha com o nos em tal situação
verbal: pode-se confundir o objeto direto
(é a primeira ou a terceira pessoa do plural?).
O fato chamou minha atenção quando vi uma
cena de perseguição num filme antigo, em
que um dos líderes clamava: “Sigam-nos,
sigam-nos!” Não dava para saber se ele queria
dizer sigam a nós ou sigam
eles (aos que estavam à frente).
• Gostaria de saber como devo escrever
e pronunciar a palavra recorde: como paroxítona
ou proparoxítona?
A sua dúvida faz sentido, pois se
ouvem as duas pronúncias no Brasil.
Uma, à inglesa: récorde;
outra, com base na grafia aportuguesada
como paroxítona: recorde.
O dicionário Houaiss registra a forma
oficial recorde, mas indica
que “pelo menos no Brasil, ocorre
também como palavra proparoxítona:
récorde”.
Em dicionários mais antigos encontrei
somente a grafia do inglês, por exemplo:
“RECORD, s.m. Do ingl. Ato desportivo,
verificado e registrado por personalidades
ou associações desportivas
competentes e que excede tudo o que foi
precedentemente feito no mesmo gênero”
(Laudelino Freire, 1957).
Por pressão social, repórteres
de televisão e rádio assim
como falantes em atos oficiais estão
cada vez mais usando a forma paroxítona,
embora ainda possa causar certa estranheza
nos ouvintes, provavelmente pelo fato de
a palavra “recorde” nos reportar
ao verbo “recordar” (recorde
= lembre). Se o inglês ticket foi
aportuguesado conforme absorvido pelos falantes
de português, isto é, tíquete,
assim com acento indicativo de proparoxítona,
por que não se oficializa, afinal,
a grafia récorde?
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