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- Professora,
qual é o certo: medidas a serem/ser tomadas?
- Qual o correto,
já que a flexão do infinitivo tem uma regência
especial: para ser contadas ou serem contadas.
E os outros casos que envolvem preposição
e infinitivo.
- Quero saber
por que o verbo ser não acompanha o plural
do restante da frase: ...casos desse tipo
levam até vinte anos para ser decididos.
- O uso do verbo
ser como auxiliar. Exemplo: Eles estão para
ser/serem exilados.
O uso do infinitivo
flexionado é chamado de “idiotismo” por
ser, entre as línguas neolatinas, peculiar
e exclusivo do português. Se, por um lado,
a flexão [-es, -mos, -em] serve
para esclarecer a pessoa do sujeito sem
ser necessário mencionar explicitamente
os pronomes tu, nós, eles (por
exemplo, pode-se dizer “convém irmos juntos”
em vez de “convém nós irmos juntos”), tornando
a redação mais bonita e interessante, por
outro lado deixa os falantes em dúvida sobre
o que é melhor ou correto.
Selecionei então
algumas das muitas cartas em que leitores
do Língua Brasil manifestam suas incertezas
sobre o emprego da flexão do infinitivo
na voz passiva. A flexão simples foi tratada
na coluna Não Tropece na Língua 049, ocasião
em que mostrei as duas possibilidades de
uso, concluindo que só existe uma obrigatoriedade
de flexão: quando o sujeito [substantivo
ou pronome] do infinitivo se encontra claramente
ao lado do verbo, depois da preposição,
isto é, na seguinte ordem: PREPOSIÇÃO -
SUJEITO - INFINITIVO. Relembrando:
Falou para
as crianças saírem
da sala.
Discutiram uma
forma de todos se protegerem.
Para
os problemas serem resolvidos,
precisamos de mais ação.
Dê um jeito
de seus filhos estudarem juntos,
falou.
Ser autônomo
é mais incômodo, a ponto de
muitos de nós termos medo
de ser livres.
A dúvida
da maioria dos consulentes ocorre quando
a frase apresenta uma ordem diferente: SUJEITO
- PREPOSIÇÃO - INFINITIVO.
Já neste caso é facultativa
a flexão, embora haja algumas recomendações
e preferências, sobretudo em razão
da eufonia, do que soa ou fica melhor no
contexto. Mas quero reiterar que existem
alternativas: não se discute se é
certo ou errado. Por exemplo, não
se pode afirmar que há erro em “É
preciso pensarmos no que fizemos ou deixamos
de fazer para melhorarmos a vida do nosso
irmão” [frase de um senador
em 1999]. Todavia, o enunciado fica muito
melhor assim: É preciso pensar
ou Precisamos pensar no que fizemos ou deixamos
de fazer para melhorar a vida do nosso irmão.
Bem, a novidade
de hoje e da próxima semana em relação à
coluna 049 é que vamos falar da flexão do
infinitivo na voz passiva, o que implica
a presença do verbo ser no infinitivo +
um particípio. O esquema
é este: SUJEITO - PREPOSIÇÃO - SER - PARTICÍPIO.
Primeiro
caso
A flexão do infinitivo
passivo é preferível e preferida quando
o substantivo ou o pronome que é sujeito
do infinitivo vier logo na frente da preposição:
Relacione as
medidas a serem tomadas,
por favor.
O editor guardou
mil histórias para serem
contadas.
As casas
a serem visitadas foram apontadas
pelo delegado.
Condenamos os
escritores a não serem lidos.
Definidas as
propostas e a metodologia a serem utilizadas,
a equipe de Paulo Freire iniciou o trabalho.
Encaminho-lhe
os seguintes documentos para serem
analisados.
É importante
zelar pela qualidade das obras a
serem publicadas.
Levar o cão
ao veterinário e cuidar da sua alimentação
são apenas alguns dos itens
a serem observados.
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