| O
uso de crase antes de pronomes possessivos.
É permitido? Existe alguma regra?
Sabemos que a crase está condicionada
ao uso simultâneo da preposição
a com o artigo a;
portanto, para ocorrer a crase é
preciso que a palavra anterior [um verbo
ou um nome] exija a preposição
a e o substantivo posterior
– que será obrigatoriamente
feminino, explícito ou não
– admita a presença do artigo
definido. O uso do acento indicativo de
crase antes do pronome possessivo é
facultativo. Quer dizer: pode-se omitir
o acento que não fica errado.
Mas é altamente recomendável
usá-lo, pois evita ambigüidades,
sobretudo depois de verbos, veja só:
- Favor anexar a sua declaração
de isento a sua identidade.
Anexar o que a quê? Deixemos claro:
- Favor anexar à sua declaração
de isento a sua identidade.
- Favor anexar a sua declaração
de isento à sua identidade.
- Favor anexar a sua identidade à
sua petição.
- Anexamos à petição
o documento solicitado.
- Peço que junte à
nota para a imprensa a sua fotografia.
A crase, aliás, é sempre
motivo de clareza. Também fica melhor:
- Dobre à sua direita.
- À SUA ESCOLHA
[título de reportagem sobre imóveis
à venda]
- O Natal bate à sua porta
[propaganda na TV, mas sem o acento!].
A bem da verdade, esse tipo de crase só
poderia ser dito "facultativo"
em relação às regiões
do Brasil, pois em alguns Estados não
se usa o artigo definido diante do possessivo.
Ali as pessoas normalmente dizem: "de
minha mãe, de meu pai, minha amiga,
para/a minhas tias", o que em tese
as desobrigaria do "a craseado".
Já em outros lugares o artigo definido
é usual: "da minha mãe,
do meu pai, com a minha amiga, para as minhas
tias". Esta situação
enseja o emprego de à
ou às: refiro-me
à minha amiga e às minhas
tias, por exemplo.
Em Portugal a crase (que é chamada
simplesmente de acento grave)
com os pronomes possessivos é de
lei, pois o uso do artigo definido diante
deles é a norma naquele país.
Plural
É preciso ter cuidado com a opção
diante de pronome possessivo plural: a alternativa
não é *as/às, mas sim
a/às, pois aí
se trata de escolher entre a simples preposição
(entendendo-se que não se queira
usar o artigo definido antes do possessivo)
ou a preposição combinada
com o artigo no plural:
- Não reconheceu o Estado de Israel
por questões políticas ligadas
a/às suas relações
com os países árabes.
É interessante manter a coerência
dentro do texto ou pelo menos dentro da
frase:
- Passo a suas mãos
documento que já é de seu
conhecimento.
- Passo às suas
mãos documento que já é
do seu conhecimento
- Na casa de minha irmã, eu me referi
a minhas dificuldades.
- Na casa da minha irmã, eu me referi
às minhas dificuldades.
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