| Você
já ouviu dizer que se usa o por
que, separado, nas perguntas e
o porque, junto, nas respostas?
Bem, não é que essa regra esteja errada,
mas, muito genérica, ela não explica o emprego
de todos os porquês e, pior ainda, induz
a erro em casos muito comuns. Por isso,
prefira seguir as instruções abaixo, que
tornam a questão muito mais clara.
1) POR QUE - O por que,
separado, aparece em três situações:
a) Quando estão claras
ou subentendidas as palavras
motivo, causa, razão, independentemente
de haver interrogação ou não na frase. Por
que (motivo) você não foi à festa?
/ Por que razão há tanta
violência nas ruas? / Não sei por
que (razão) ele adiou a viagem.
/ Ele não disse por que
(motivo) pretendia sair mais cedo.
Nos dois últimos exemplos, é como se houvesse
uma pergunta indireta: Por que ele adiou
a viagem? / Por que ele pretendia sair mais
cedo?
Os equívocos na imprensa são comuns, como
nestes casos em que o por que,
apesar de ter saído “junto”, é “separado”:
Executivas explicam por que
(e não porque – estão subentendidos motivo,
razão ) mulheres raramente chegam ao comando
das empresas./ Não sei por que
(razão – e não “porque”) ele fez aquilo.
/ Eis por que (motivo)
o menino se machucou. / Não há por
que (causa) continuar o trabalho.
Esse é também o por que
dos títulos de jornais, revistas e livros
que insinuam uma explicação: Por
que (motivo) sempre há países em
guerra. / Por que (razão)
as pessoas mudam.
b) Quando equivale a para que: Estavam
ansiosos por que (para
que) ela voltasse.
c) Quando pode ser substituído por pelo
qual, pela qual, pelos quais e pelas quais:
Esse é o ideal por que
(pelo qual) tanto lutou. / Mataram a cobra
por que (pela qual) a criança
fora picada. / Eram os apelidos por
que (pelos quais) todos a conheciam.
2) POR QUÊ
– Em duas palavras e com acento, aparece
apenas quando, nos casos citados anteriormente,
vem no fim da frase: Não fez o trabalho
e não explicou por quê
(motivo). / Vocês brigaram, meu Deus, por
quê (razão)? / Chegar cedo por
quê? |