Mensagens e Reflexões
Data: 09/05/2007
Fonte: Mensageiro do Coração de Jesus
 
Proposta para o texto

Senhores Pais

Apresentamos-lhes este belo artigo. Esperamos que vocês ao lerem e refletirem, enriqueçam ainda mais a sua vida cristã

Com carinho
Equipe de Pastoral
CIC - 2007

 
Maior que coração de Mãe, só o Coração de Deus
 

“Por acaso a mulher esquece sua criança de peito, esquece de mostrar sua ternura ao filho de sua carne?
Ainda que elas esquecessem, eu não te esqueceria” (Is 49,15)

Não mais suportava aquele casamento de privações e de desafeto, que transformava sua vida numa jornada de tristezas. E resolveu, enquanto ainda era jovem, refazer a vida sozinha, trabalhando para sustentar os três filhos que já tivera. Estamos no interior do Nordeste, em fins da década de 1950, época em que as mulheres dependiam, muito mais que hoje, absoluta e exclusivamente dos maridos que a sorte lhe reservasse.

Levaria consigo a filha recém nascida e deixaria com o marido quase sempre ausente o filho que engatinhava e a filha que já andava. A pequena, ela a levaria consigo; ainda mamava. Os dois outros poderiam ficar um tempinho mais com o pai, enquanto, na capital, tentasse trabalho e moradia para vir buscá-los.

Tudo decidido. Numa manhã qualquer daquele tempo já distante, iria embora. Ajeitou-se, embalou numa roupinha bem pobre a filha que levaria no peito, levantou-se para partir.

Foi quando olhou para o chão e viu ali o menino sentado, indefeso e inocente. Deu-se conta de que ele chorava , pressentindo a separação iminente. Ela olhou fundo nos olhos. As lágrimas do menino tornaram-se dores nela... pensou: “ Que será desse menino aqui sozinho? E se o pai que agora deixo não chegar logo, quem lhe dará de comer?” E seu coração se conturbou. Ela tremeu ante as lágrimas daquele filho... E desistiu!

Desistiu de ir embora porque não poderia admitir nem mesmo remotamente a hipótese de seu filho sentir fome, por um segundo que fosse.

Por isso ficou. Ficou para sempre. Ficou pelo filho,para o filho. Ficou, fiel ao amor de mãe de que seu coração transbordava. Renunciou-se a si mesma e, em nome do sentimento que a enraizou ali, enfrentou o desamor, encarou a solidão, sofreu a dor da incompreensão, para nunca mais desistir de ficar pelo filho, pelas filhas, pelo filho que viria. Pelo outro...

O marido faleceu. O filho que transformou sua vida? Nem sabe dessa história.

Cresceu, mudou-se, vive longe dela, que nunca lhe cobrou a mais mínima recompensa pelo gesto que fizera. Os outros filhos também se foram, adultos todos, com suas esperanças e dores. E ela ficou. Fiel ao amor pelo filho, fiel à vida que dera à luz.

Sua ternura de mãe não lhe permitiu abandonar nem sua criança de peito, nem o filho de sua carne. Todas as teorias cessam, todos os raciocínios falham perante o sentimento que une mãe e filho.

O amor de toda mãe é tão único que é dado pelo Deus da Bíblia como a mais próxima tradução terrena do que amor que Ele nos dedica. Naquele momento, aquela mãe esteve muito próxima de Deus, porque agiu como Ele age: “Eu não te esquecerei!” E só esse seu gesto justifica sua vida inteira. São assim as mães, todas as mães. A verdade e a intensidade de seu amor pelos filhos serve de termo de comparação para o amor do próprio Deus por nós. As figuras maternas como expressão do amor divino se encontram em muitos textos bíblicos.

Todas as dores se calam, todos os projetos cessam, todos os sonhos se refazem por amor dos filhos. Na pobreza ou na abundância, o bem maior da mãe são os filhos, nos quais elas enxergam a força da esperança. Mães não são Deus, mas seguramente aprenderam a amar com Ele. Amam com todo o amor possível, amam com suas entranhas.

Que esse gesto materno ( e aqui as leitoras e os leitores podem evocar em seus corações inumeráveis outros gestos semelhantes), só ele, sirva de homenagem a todas as mulheres neste Mês das Mães. Sem grandes arrazoados, sem adjetivos empolados, contemplemos a força do amor das mulheres pelos frutos de suas entranhas. E agradeçamos a Deus por sermos filhos de quem somos, sabendo que só o Coração de Deus pode conter e superar a imensidade do amor de nossa mãe.

Parabéns, Mãe! Somos gratos a você. E reconhecidos a Deus por termos nascido de seu ventre.

Marcos Marcionilo

 
 
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