Pe.
Zezinho-scj
Era muito mais bonito aquele tempo em que ele
punha as mãos nos ombros dela, ou publicamente
andavam de mãos dadas. Alguém decretou
e espalhou que o gesto está fora de moda.
Que falem, mas, se não inventaram coisa
melhor, que se calem! O fato é que continua
bonito ver a mão dele segurando a dela,
sem nenhuma outra razão além do
carinho entre dois seres humanos.
Casais idosos ainda fazem isso e há casais
jovens que não abrem mão desse privilégio.
O gesto não tem nada de antiquado. Diz
muito ao coração dela e faz bem
ao homem que ele é. Mostra publicamente
que há um laço a prender suavemente
os dois. As mãos falam e ajudam a dizer
coisas boas e más. Por elas também
passam o cuidado, o carinho e a ternura. Aquelas
mãos dadas são mãos de pai
e mãe, ou de quem será. São
mãos que cuidaram, cuidam ou cuidarão
de vidas tenras e carentes.
Mãos levantam queixos, afagam cabelos,
tocam olhos e testas, seguram mãozinhas
inocentes, curam feridas, fazem comida, lavam
corpos e roupas, constroem brinquedos, afagam
bochechas, alisam cabelos brancos, plantam, colhem
e beneficiam, assinam decretos, ajudam os pobres
e tornam o matrimônio uma fonte de vida.
Protagonizam na terra o prolongamento do raham,
o colo de Deus. Nada mais justo, então,
que homem e mulher caminhem de mãos dadas,
porque é bom, é terno, simboliza
um vínculo, e é testemunho de que
alguém está amando alguém.
Em algum ponto da caminhada muitos casais perderam
este delicado e belíssimo costume. Em era
de tanta violência, fora e dentro do lar,
de tanta indelicadeza, ingratidão, ameaças
e perda de valores, há costumes que devem
ser preservados e incentivados. Um deles é
a ternura do casal de mãos dadas. Não
faz sentido que duas pessoas que se amam, caminhem
sistematicamente separados, como se estranhos
fossem. Era bonito, simbolizava cuidado e laços
de família e todos podiam ver. Que volte
a simbolizar a unidade. Prefiro ver isso do que
homens indelicados e mulheres magoadas e de rosto
sombrio e enxabido, ao lado do homem que um dia
foi a razão dos seus sorrisos. Pequenos
gestos podem fazer a diferença. Parecem
bobos e fora de moda, mas não são
mais tolos e fora de moda do que um casal se espicaçando
na frente dos outros e agindo como se o outro
não significasse mais nada em sua vida.
Pode até haver mentira naquelas mãos
dadas, mas se até inimigos se dão
as mãos e assinam tratados, porque não
um casal que tem e teve uma história?
Que se reze o Pai Nosso de mãos dadas.
Que se comece pelos casais!
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